sábado, 24 de março de 2012

“Outro lado” aborda questões políticas e existenciais através de uma fábula central atravessada por diversas cenas e fragmentos que rompem a narrativa linear. A peça também discute os limites entre realidade e ficção; a relação entre memória e história; e os conflitos entre o universo particular e o coletivo.
22/03
Os Mamutes, de Jô Bilac.Partindo da premissa de pessoas caçadas para virar hambúrguer (os mamutes), o autor conta com influências de Lewis Carroll, os massacres hediondos liderados por jovens desequilibrados e a exploração midiática disso. A era da internet, o consumismo desenfreado, a pobreza televisiva, a cultura em massa, o crescimento econômico do país, o esvaziamento dos discursos, a falta de pensamento crítico. (autor: Jô Bilac)
Segundo Inez Viana (atriz e diretora), o autor está gritando ao mundo que 'alguma coisa está fora de ordem'. O autor a faz lembrar As Palavras e as Coisas, de Foucault, em que o personagem à beira da morte expõe um discurso nada espontâneo, na esperança de se salvar: "Capitão Man - Por que não devo te matar? Jerry - Porque... porque sou um homem honesto Capitão Man - Por que ? Jerry - Porque a honestidade é a base da moral, e sem moral não se pode constituir a ordem em uma sociedade..." E assim vai até que a vítima implora pelo assassinato de sua noiva ao invés do próprio, questionando de fato os valores individualistas rasos atuais e a falta de substância no discurso moralista evasivo deste e de tantos outros mamutes.

O espetáculo é divertidíssimo, embora o enredo seja fremente crítico em relação à podridão humana. A personagem em destaque é uma apresentadora de um programa infantil cujas canções embalam os cérebros dos pequeninos com mensagens de violência aos pais e a adoração por hambúrgueres de mamutes.
A Alma ImoralAdaptação da atriz Clarice Niskier do livro A Alma Imoral, de Nilton Bonder para o teatro. O resultado final é surpreendente. Uma aparente conversa informal de impressões pessoais da atriz sobre o que leu no texto é dividida com a platéia que em seguida embarca nas palavras sábias e encantadoras sobre a alma transgressora do ser humano. É uma discussão assertiva sobre o certo e o errado, a traição e a estagnação. O jogo de cena com o lençol negro, as mãos, a nudez e o oculto, a simplicidade e a força do contestamento das verdades atrofiadas do cristianismo são como um banho na alma.

DentroFora. Com o Grupo IN.CO.MO.DE-TE.
Os dois personagens estão confinados paralelamente no palco dentro do que se parecem vitrines. Durante o espetáculo recordam de bons momentos de sua vida e parecem estar viajando em vagões num trem. Apesar de parecerem presos, quase ao final A Mulher abre a porta de sua vitrine e constata que a mesma está aberta. O que lembra uma frase célebre de Adriana Lodi: "Vocês estão dentro de uma jaula. Mas a porta está aberta. é só sair." O texto faz alusão à imobilidade do ser humano contemporâneo perante a vida. O jogo de luzes é interessantíssimo, especialmente quando os dois escolhem escolher divagar sobre coisas simples e belas, como por exemplo a cor azul. Nesse momento portanto a luz incide sobre suas vitrines de forma que pareça que as personagens estão dentro de um mundo em preto-e-branco, esquecido e desbotado no tempo. 18/03
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