Os Mamutes, de Jô Bilac.Partindo da premissa de pessoas caçadas para virar hambúrguer (os mamutes), o autor conta com influências de Lewis Carroll, os massacres hediondos liderados por jovens desequilibrados e a exploração midiática disso. A era da internet, o consumismo desenfreado, a pobreza televisiva, a cultura em massa, o crescimento econômico do país, o esvaziamento dos discursos, a falta de pensamento crítico. (autor: Jô Bilac)
Segundo Inez Viana (atriz e diretora), o autor está gritando ao mundo que 'alguma coisa está fora de ordem'. O autor a faz lembrar As Palavras e as Coisas, de Foucault, em que o personagem à beira da morte expõe um discurso nada espontâneo, na esperança de se salvar: "Capitão Man - Por que não devo te matar? Jerry - Porque... porque sou um homem honesto Capitão Man - Por que ? Jerry - Porque a honestidade é a base da moral, e sem moral não se pode constituir a ordem em uma sociedade..." E assim vai até que a vítima implora pelo assassinato de sua noiva ao invés do próprio, questionando de fato os valores individualistas rasos atuais e a falta de substância no discurso moralista evasivo deste e de tantos outros mamutes.

O espetáculo é divertidíssimo, embora o enredo seja fremente crítico em relação à podridão humana. A personagem em destaque é uma apresentadora de um programa infantil cujas canções embalam os cérebros dos pequeninos com mensagens de violência aos pais e a adoração por hambúrgueres de mamutes.
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